quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Metabolismo de Gorduras e Gasto Calórico

Fonte: Dr. Antonio Herbert Lancha Jr.


Estivemos no congresso do Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM) em Indianápolis. Entre as várias e interessantes apresentações que assistimos uma em especial trouxe relevantes informações, no que diz respeito a metabolismo de gorduras e gasto calórico.

Nesta sessão foram apresentados os principais fatores desencadeantes do aumento de gordura corporal. O mecanismo apresentado enfatiza que o gasto diário de carboidrato para uma pessoa sedentária é de 1.000 kcal e a reserva de 2.000 kcal. Já a gordura apresenta gasto diário de 160 kcal e uma reserva de 160.000 kcal.

Assim, o consumo diário de carboidrato até 1.000 kcal, para um indivíduo sedentário, apenas repõe o gasto. Estudos mostraram que em apenas 9 horas de maior consumo de carboidratos, já houve aumento proporcional da oxidação do mesmo, isto é, da queima. 

O consumo maior que 160 kcal de gordura/dia para o mesmo indivíduo eleva a reserva deste nutriente, visto que sua oxidação não é estimulada pelo consumo de gordura. De forma aplicada, para queimar o consumo adicional de gordura, é necessário elevar o gasto calórico pelo aumento da intensidade e não pela duração do exercício. 

Também foi abordada a alteração na taxa metabólica basal (TMB-gasto energético para manter o funcionamento do organismo diariamente) em indivíduos submetidos à restrição alimentar. Nestes casos, rapidamente o organismo se reorganiza e reduz seu gasto calórico total, dificultando o processo de emagrecimento e, muitas vezes, justificando o fracasso em manter-se o peso corporal após sua redução. 

Os cálculos de predição da TMB, após emagrecimento, perda de peso, podem superestimar estes valores em até duas vezes o real. Justamente porque estes cálculos não levam em consideração a adaptação do organismo ao período de restrição. Os autores acreditam que o organismo aja, protegendo seus estoques, evitando reduzir a gordura corporal. 

Neste mesmo seminário foi abordado, que a redução do consumo de carboidratos pode levar à redução do conteúdo de glicogênio, que por sua vez estimula a fome por mecanismos ainda incertos. Acredita-se que o próprio músculo atue liberando substâncias que estimulam a fome, principalmente de doces.

Portanto, mexa-se e muito, cada vez a atividade física se torna mais importante para mantermos a forma e a saúde, mas tão importante quanto fazer atividade física, é fazê-la na intensidade correta. Por isso, faça um teste ergoespirométrico e encaminhe ao seu treinador.